quarta-feira, 16 de junho de 2010

Os movimentos de Independência

Com o final da Segunda Guerra Mundial, o ideal de independência dos países colonizados na África transformou-se um movimento de massa. A África mergulhou em grito por liberdade política, ao passo que enfrentavam a dependência econômica. Tais movimentos ocorreram por meio da guerra ou por meio da independência gradual comandada pelas metrópoles, ao transferirem o poder para as elites locais. Todas essas questões deram origem a uma espécie de neocolonialismo.



Segue abaixo uma pesquisa cronológica dos principais fatores que corroboraram para os movimentos de independência dos Países Africanos.

1950- Pan-africanismo


É um movimento de caráter social, filosófico e político, que visa promover a defesa dos direitos do povo africano, constituindo um único Estado soberano para africanos que vivem ou não na África.

Acreditam que a união dos povos de todos os países do continente africano na luta contra o preconceito racial e os problemas sociais é uma alternativa para tentar resolvê-los. A partir dessa ideologia foi criada a Organização de Unidade Africana (1963), que tem sido divulgada e apoiada, majoritariamente, por afro-descendentes que vivem fora da África.


1951- Independência da Líbia


Em 1912, a Líbia foi invadida pela Itália, uma vez que outras potências européias, como a Inglaterra ou a Alemanha tinha passado ao largo. Este domínio italiano durou até à queda de Mussolini e o fim da II Guerra Mundial, mais concretamente em 1951. O 24 de Dezembro do citado ano a Líbia conseguiu a sua independência da Itália depois de 39 anos de colonização.


1951- União da Eritréia à Etiópia

A Eritreia foi unida à Etiópia pela resolução da ONU 390(A), sob o impulso dos Estados Unidos, adotado em dezembro de 1950.

1952- Canal de Suez- Egito


Foi uma série de conflitos que envolveram Israel e o Egito pelo domínio do Canal que era um ponto estratégico de ligação entre a Europa, a Ásia e a África.


1955- Conferência de Bandung


Em 1955, na Indonésia, os líderes de vinte e nove Estados asiáticos e africanos (Etiópia, Líbia, Libéria e Egito) realizaram a Conferência de Bandung. O objetivo era a promoção da cooperação econômica e cultural afro-asiática, como forma de oposição ao que era considerado colonialismo ou neo-colonialismo dos Estados Unidos da América, da União Soviética ou de outra nação considerada imperialista, ou seja, promoviam o não-alinhamento automático às superpotências. Foi a primeira conferência a falar e a afirmar que o imperialismo e o racismo são crimes.


1956 - Independência do Marrocos

Em 1943 surge no protetorado francês um partido de cunho separatista. O sultão Mohamed ben Yusuf (Mohamed V) adere ao movimento nacionalista e dez anos depois é deposto pelos franceses por não ter acatado sancionar medidas que lhe limitassem o poder. A Espanha não havia sido consultada e negou-se a reconhecer a deposição de Yusuf, assim acolheu os patriotas marroquinos em seu protetorado. A França, preocupada com a rebelião na Argélia, concedeu a independência ao Marrocos em 2 de março de 1956, e Mohamed ben Yusuf volta ao trono e no mesmo ano a Espanha renuncia aos territórios de seu protetorado. O Marrocos fica, então, parcialmente unificado, sob o regime de monarquia constitucional em 1962, tendo também reconhecido a legitimidade de suas fronteiras em tratados e acordos com a França e Espanha.


1956 - Independência da Tunísia


Finda a Segunda Guerra Mundial e, conseqüentemente a ocupação alemã, cresce entre os tunisianos os movimentos nacionalistas, até que em 1956 a França concede a independência à Tunísia. Em 1959, Habib Bourguiba, o principal ícone do movimento nacionalista, é eleito para o cargo da presidência, tornando-se, posteriormente, presidente vitalício - sendo em 1987 considerado incapaz e substituído por Zine El Abidini Ben Ali.


1956- Independência do Sudão


Depois da Segunda Guerra Mundial, os sudaneses com maior grau de instrução passaram a reivindicar a independência. Em 1953, o Reino Unido e o Egito concordaram em conceder autonomia gradual ao Sudão. Oficialmente, o país tornou-se independente em 1° de janeiro de 1956. Desde a independência, o Sudão vem enfrentando problemas políticos e a guerra civil. A partir do final da década de 1960, o chefe de governo foi mudado várias vezes. Em outubro de 1969, o major-general Gaafar al-Nimeiry assumiu o governo. Foi deposto por militares de esquerda em julho de 1971, mas reconquistou o poder em seguida. Em outubro, elegeu-se presidente do Sudão e firmou um acordo com os rebeldes do sul, concedendo certa autonomia à região.


1957 - Independência de Gana


Em 1868, o Reino Unido converteu-se na principal influência na "Costa do Ouro", como foi conhecida Gana. Em 1948, após a fortificação dos movimentos pró-independência, Kwame Nkrumah, forma seu próprio partido: o People´s Party (CPP), com o lema "o auto-governo agora". Em 1951, Nkumah ganha as eleições e em 1957 Gana conquista sua independência, o que deu a Nkrumah a alcunha de Osagyefo (significado: líder vitorioso), sendo empossado como primeiro-ministro, procurando ajuda no bloco comunista. Em 1962 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, e em 1966 Nkrumah fora deposto do seu governo por um golpe militar.


1960 - Independência da Costa do Marfim


No ano de 1893 a região da Costa do Marfim tornou-se uma colônia autônoma e em 1899 passou a integrar a Federação da África Ocidental Francesa. Em 1919, parte da colônia se tornou independente e em 1944 foi criado o Sindicato Agrícola Africano, que deu origem ao partido Democrático da Costa do Marfim (Parti Démocratique de la Côte d'Ivoire). Em 1958, anos após a construção do porto, foi proclamada autônoma a República da Costa do Marfim dentro da Communauté Française e em 1960 o país atingiu sua independência plena.


1960- Independência do Chade

É importante ressaltar que em 1885, a Conferência de Berlim definiu as fronteiras do país e a França o ocupou em 1900. A luta anti-colonial inicia-se após a II Guerra Mundial, com a formação do Partido Progressista do Chade (PPT). Em 1960,obtém a Independência, e François Tombalbaye, do PPT, torna-se o primeiro presidente.

1960 - Independência da Nigéria


A Companhia Real de Niger foi criada pelo governobritânico em 1886 e em 1901 a Nigéria tornou-se protetorado britânico e colônia em 1914. Devido ao crescimento do nacionalismo nigeriano com o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico deu início a um processo de transição da colônia até um governo próprio com base federal, concedendo à Nigéria independência total em 1960.

1960- Independência de Benin

No fim do século XIX, o território do atual Benin tornou-se protetorado Francês, com o nome de Daomé. Em 1904, passou a ser administrado diretamente pela metrópole. O domínio colonial encerra-se em 1960, quando, incapaz de sustentar economicamente o território, a França concede-lhe a Independência.

1960- Independência do Togo.

O Togo era protetorado da Alemanha desde 1884, com o fim da I Guerra Mundial, o território é dividido entre França e Reino Unido. Em 1956, a parte oriental é incorporada a Gana. A parcela Francesa ganha autonomia limitada, tendo Sylvanus Olympio como primeiro presidente. A Independência só se consolida em 1960, como já dito.

1960- Independência de Burkina Fasso

Em 1947, o território havia se tornado colônia Francesa. Em 1958, passou a ser República, membro da Comunidade Francesa, e obteve a independência em 5 de agosto de 1960.

1960 - Independência da Somália


A Somália italiana já estava sob o protetorado da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1950, quando floresceu em Mogadíscio os movimentos anticoloniais. A Somália tem sua independência em 1960, com a unificação do país, que em seguida, se transforma em república.


1960 - Independência da Mauritânia


Sob a dominação francesa houve na Mauritânia proibições legais contra a escravidão e também um fim às guerras entre diferentes clãs. Enquanto durou o período colonial a população continuou nômade, mas vários povos sedentários, cujas famílias haviam sido expulsas séculos atrás, começaram a voltar gradativamente à Mauritânia. O país obteve sua independência em 1960, sendo fundada sua capital em uma pequena aldeia, Ksar, de população ainda 90% nômade. Após a independência, muitas populações indígenas da África Subsaariana, como por exemplo, os haalpulaar, soninquês e wolof moveram-se para a Mauritânia.


1960 - Independência do Mali


O território do Mali já foi sede de três impérios da África Ocidental. No final do século XIX, o Império Mali fica sob o protetorado francês, transformando-se em parte do Sudão francês. Em 1960, Mali conquista sua independência, tornando-se Federação do Mali. Um ano depois, a Federáção divide-se em dois países: Mali e Senegal.

1960- Independência do Níger

Níger era colônia francesa entre 1922 e 1960, quando obtém a independência. Desde os anos 70, os militares são a força política dominante no país. Em 1990, nômades tuaregues, que lutam por autonomia no norte e no sudeste, entram em conflito armado com o Exército. Acordos de paz são assinados em 1995 e 1997, e a incorporação dos tuaregues à vida política de Níger prossegue até 2000.

1960- Independência do Senegal


Em 1946, o Senegal tornou-se um território da União Francesa e elegeu dois deputados para a Assembléia Nacional Francesa. O Senegal tornou-se uma república autônoma dentro da Comunidade Francesa em 1958. O Senegal e o Sudão Francês (atualmente Mali) formaram a Federação do Mali em 1959. A independência do Mali foi proclamada em 1960. O Senegal deixou de ser membro da federação para se tornar um país independente, em 1960. Léopold Sédar Senghor foi o primeiro presidente a tomar posse.

1961- Independência de Serra Leoa

Serra Leoa já havia sido habitada por portugueses em meados do século XV e tornou-se colônia do Reino Unido no início do século XIX. Em 1960, sir Nilton Margai, secretário do Partido do Povo de Serra Leoa (SLPP), que lutava pela independência, torna-se primeiro ministro, contudo mantém laços com o Reino Unido. Nesse sentido, a Independência do país, em 1961, não traz grandes alterações à política da nação.

1961- Independência de Tanganica

Parte continental da Atual Tanzânia, Tanganica era centro de comércio Árabe entre o século VII e o XVI, quando cai sob o controle de Portugal. Em 1884, a Alemanha conquista o território e o transforma em colônia. Ao fim da Primeira Guerra Mundial, o território fica sob o controle do Reino Unido. A Independência ocorre sob a presidência de Julius Nyerere.

1962- Independência da Argélia

O nacionalismo argelino se destacou após as duas Guerras Mundiais e em 1954 foi formada a Frente de Liberação Nacional (FLN), que lançou uma ofensiva para conseguir a independência da Argélia. Tomaram lugar conflitos, inclusive com ataques à população civil. Em 1962, a Argélia votou majoritariamente a favor da independência, sendo declarada socialista.

1962- Independência da Uganda

Em 1894 o reino da Buganda tornou-se um protetorado do Reino Unido. Após várias manobras realizadas pelos britânicos, foram realizadas no dia 1 de março de 1961 as eleições e Benedicto Kiwanuka torna-se ministro-chefe de Uganda (ainda como commomwealth). Uganda teve sua independência em 9 de outubro de 1962.

1963- Criação da Organização da Unidade Africana (OUA)

A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Ababa, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes. A OUA foi substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002. Objetivavam promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos, coordenar e intensificar a cooperação entre os estados africanos, no sentido de atingir uma vida melhor para os povos de África, defender a soberania, integridade territorial e independência dos estados africano e erradicar todas as formas de colonialismo da África.

1963- Independência de Zanzibar

Ilha pertencente à Atual Tanzânia. Com história semelhante à de Tanganica, Zanzibar também foi ocupado por árabes e posteriormente colonizado por portugueses, alemães e ingleses, Contudo só logrou a Independência em 1963, dois anos mais tarde que Tanganica.

1963- Independência do Quênia

Nas duas décadas que precederam a Segunda Guerra Mundial, os europeus monopolizaram as melhores terras cultiváveis do Quênia. Em 1944, foi formada uma organização nacionalista, a União Africana do Quênia (KAU), que pregava a redistribuição da terra e tinha como líder Jomo Kenyatta. Em 1952, uma sociedade secreta kikuiu, ou Mau Mau, levantou-se contra o domínio colonial na denominada revolta dos Mau-Mau, que deu origem a uma longa guerra, que se prolongou até 1960. A KAU foi proscrita e Kenyatta, líder da rebelião, preso. A eleição de 1961 levou os dois partidos africanos, a União Nacional Africana do Quênia (KANU) e a União Democrática Africana do Quênia, a aliarem-se no governo. Em dezembro de 1963, o Quênia tornou-se Estado independente, membro da Commonwealth, e constituiu-se em república no ano seguinte, sob a presidência do carismático Kenyatta (KANU), o qual foi reeleito em 1969 e 1974.

1964- Formação da Tanzânia

Após três anos da Independência de Tanganica e um ano da Independência de Zanzibar, esses dois países resolvem se unir para formar a Tanzânia. Sob o governo de Nyerere, a Tanzânia adota o socialismo e aproxima-se da China. Somente no fim dos anos 1980, o governo de Ali Hassan Mwinyi abre a economia do país.

1965- Independência da Gâmbia


Gâmbia ficou independente do Reino Unido em 1965. Em 1970, Dawda Jawara se converteu no primeiro presidente do novo estado e foi reeleito em 1972 e 1977. Depois da independência, a Gâmbia melhorou seu desenvolvimento econômico graças à alta nos preços de sua principal matéria de exportação, o amendoim, e ao desenvolvimento do turismo internacional.


1974- Primeira Colônia Portuguesa na África a se tornar independente: Guiné-Bissau


A colonização portuguesa de Guiné Bissau foi catastrófica. Os invasores impuseram o monopólio do comércio e agricultura. O cenário nos anos 1950 eram assustadores. A cada mil nascimentos, 600 mortes. Existia apenas 11 médicos em todo o país e menos de uma dúzia de pessoas havia completado o ensino secundário.


Em 1956, foi fundado o Partido Africano de Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC). Após infrutíferas negociações, o partido começa a guerrilha sete anos depois. Em 1972, quase todo o país estava nas mãos dos nacionalistas. Com a Revolução dos Cravos em 1974 e a descolonização das colônias africanas, Guiné-Bissau tornou-se independente, apesar da declaração de independência ter sido em 24 de Setembro de 1973. Assim como nas outras colônias, a independência de Guiné-Bissau foi seguida de nacionalizações, estatizações e reformas.


1975- Independência de Cabo Verde.

O território era colonizado por Portugal desde 1462. Entretanto, no século XX, com o surgimento dos movimentos de libertação nacional na África, o país vincula-se à Luta pela independência da Guiné Portuguesa. Em 1956 forma-se o Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC) marxista, liderado por Amílcar Cabral. A Independência é declarada em 5 de julho de 1975 como conseqüência da Revolução dos Cravos , que derrubou a ditadura em Portugal.

1977-1978 – Época do Terror Vermelho na Etiópia.

Para uma maior contextualização, cabe pontuar que: Em 1977, houve a Guerra de Ogaden, quando a Somáliaregião de Ogaden inteira. Em contrapartida, a Etiópia só foi capaz de recapturar Ogaden,após sérios problemas, graças a um afluxo maciço de equipamentos militares soviéticos e a presença militar de Cuba, junto à Alemanha Oriental e o Iémen do Sul no ano seguinte. Centenas de milhares de pessoas foram mortas como resultado do Terror Vermelho, de deportações forçadas, ou da utilização da fome como uma arma sobre o governo de Mengistu.O Terror Vermelho foi realizado em resposta ao que o governo chamou de "Terror Branco", supostamente uma cadeia de eventos violentos, assassinatos e mortes realizadas pela oposição. capturou a

Referências Bibliográficas

http://www.coladaweb.com/historia/descolonizacao-da-asia-e-da-africa Acessado em 16 de maio de 2010.

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/guerra10/terceiromundo-africa.htm Acessado em 17 de maio de 2010

http://www.scribd.com/doc/2465852/Historia-da-Africa-3 Acessado em 17 de maio de 2010

A Segunda Guerra Mundial e a África do Norte

1935- Invasão da Itália à Etiópia e a Fragilidade da Liga das Nações
Em meio ao contexto da Segunda Guerra Mundial, a Itália sob liderança de Benito Mussolini invade a região da Abissínia, atual Etiópia. No dia 03 de outubro de 1935 as tropas fascistas italianas implementam uma estratégia militar e partindo da Eritréia, na África Oriental, atacam o Reino da Etiópia.

Contudo, mesmo apresentando incrível superioridade militar e sendo detentores de equipamentos tecnologicamente modernos, os soldados italianos se depararam com uma forte resistência do povo etíope, o que desapontou Mussolini que desejava realizar uma rápida apropriação. Os soldados não contavam com esse movimento tenaz de resistência e para a contenção do movimento houve a utilização de armas químicas. É importante ressaltar que esse fato foi omisso nos noticiários italianos da época.

Esse período turbulento de intensa Guerra de agressão durou aproximadamente um ano e gerou um alto grau de morticínio, uma média de meio milhão de africanos foram mortos, em face de cerca de 5.000 baixas do lado italiano. Esse conflito explicitou a fragilidade da liga das nações, que foi criada em 1919 com o intuito primordial de evitar conlitos belicistas, nos quais potências mais bem preparadas se aproveitavam da fragilidade de outros Estados.

Cabe pontuar que Hailé Sélassie, o então imperador da Etiópia, realizou um protesto formal nas instâncias da Liga das Nações objetivando que algo fosse feito contra a invasão do seu reino africano pelas tropas da Itália fascista. Exaltando os princípios da Segurança Coletiva, Sélassie solicitou uma votação em que os delegados votariam a favor ou contra do reconhecimento da conquista do seu país pela Itália. Por quase unanimidade foi reconhecida a conquista da Itália ao Reino da Etiópia. Segue abaixo trecho do discurso proferido por Hailé Sélassie à Liga das Nações:

Hailé Sélassie suplica a intervenção por parte da Liga das Nações, mas não logra êxito:

“Eu, Hailé Sélassie, Imperador da Etiópia, estou aqui para reclamar justiça para com meu povo, bem como a assistência que há oito meses passados prometeram a ele, quando , na ocasião, 50 nações concordaram que uma agressão, violando os tratados internacionais, havia sido cometida contra ele. Não há precedente de um chefe de estado ter vindo falar nessa assembléia, como não há precedente de um povo ser vítima de tal injustiça, estando no presente abandonado e colocado em risco de vida por seu agressor. Igualmente nunca se viu o exemplo de um governo proceder ao sistemático extermínio de uma nação por meios bárbaros, violando as mais solenes promessas feitas pelas nações da terra de não usar contra seres humanos inocentes as injurias do gás venenoso. É para defender um povo que luta pela sua antiga independência que o chefe do Império Etíope veio até Genebra para cumprir com o seu dever, depois dele mesmo ter lutado no comando dos seus exércitos.

Peço a Deus Todo-Poderoso que ele poupe às nações do terrível sofrimento que recentemente infringiram ao meu povo, sofrimento que os que me acompanham aqui foram testemunhas horrorizadas. É meu dever informar aos governos reunidos em Genebra da responsabilidade que eles têm sobre as vidas de milhões de homens, mulheres e crianças, do perigo mortal a que eles estão submetidos, descrevendo aqui o destino que sofre a Etiópia. O governo italiano não faz a guerra somente contra os guerreiros, mas contra toda a população, ainda que afastada das hostilidades, com a intenção de aterrorizá-los e exterminá-los." (...)


1936- Surge o NYM “Nigerian Youth Movement”, primeiro partido político de massas na África

O Movimento surge sob a liderança de Ernest Ikoli, importante político defensor de ideais nacionalistas. A priori, o movimento se fez presente em Lagos, sendo denominado de LYM “Lagos Youth Movement”, contudo as preocupações políticas que eram abordadas foram ganhando novos adeptos e o movimento passou a tomar maiores proporções, passando a ser conhecido por NYM “Nigerian Youth Movement” a partir de 1936. O movimento se constituía como um grupo de ação política com um sabor nacionalista, tornando-se o primeiro partido político de massas na África.
A Segunda Guerra Mundial e os militantes em solo norte - africano.

Entre 13 de setembro de 1940 e 13 de maio de 1943 foram travadas as campanhas militares da Segunda Guerra Mundial no norte do continente africano. Essas campanhas foram simultaneamente importantes para os Aliados e para os países do Eixo. Cabe dizer que os países do Eixo objetivavam garantir e aumentar seu acesso ao petróleo, além de impedir que os Aliados conseguissem aquele combustível, e assim interromper o fluxo de recursos materiais e humanos das colônias britânicas na Ásia e na África para a Inglaterra.

Ademais, após sua derrota na Europa ocidental, no início de 1940, as campanhas no norte da África ofereceram aos Aliados a oportunidade de abrir uma nova frente contra os países do Eixo, diminuindo, dessa forma, a pressão alemã na frente oriental após a invasão nazista à União Soviética em junho de 1941. A campanha do norte da África teve três fases: a Campanha no Deserto Ocidental (oeste do Egito e leste da Líbia); a Operação Tocha (Argélia e Marrocos); e a campanha da Tunísia.

Ao longo de todas aquelas campanhas, os alemães e italianos tiveram aproximadamente 620.000 mortos, enquanto os ingleses perderam 220.000 homens, e as mortes norte-americanas na Tunísia foram de mais de 18.500 homens. A vitória dos Aliados na África do Norte destruiu em média 900.000 soldados alemães e italianos, abrindo uma segunda frente contra o Eixo. Com isso também foi possível a invasão da Sicília e da parte continental da Itália em meados de 1943, aniquilando a ameaça do Eixo aos campos de petróleo do Oriente Médio e às linhas de abastecimento para a Ásia e a África. É importante ressaltar que essa conjuntura foi indispensável para o desenvolver da II Grande Guerra.

Na década de 1940, os cinco territórios da costa norte Africana-- Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos - ainda eram colônias ou semi-colônias européias. Em 1914, a Inglaterra havia estabelecido oficialmente um protetorado no Egito e, apesar de conceder sua independência nominal ao sultão Fuad I, em 1922 a Inglaterra tomou o controle das políticas externas e de defesa militar daquele país, ocupando também as margens do Canal de Suez. Dessa forma, o controle britânico sobre o Egito foi reafirmado com o Tratado Anglo-Egípcio de 1936. Quanto à Itália, essa havia conquistado dos turcos suas províncias africanas de Cirenaica, Tripolitânia e Fezzan em 1911, unificando-as sob a denominação de Líbia no ano de 1934.

No tocante à França, essa havia estabelecido em 1881 um protetorado oficial na Tunísia. O Marrocos por sua vez, era governado por um sultão subordinado à Turquia, com o Tratado de Fez, em 1912, se tornou um protetorado francês; e na Tunísia, um Residente-Geral francês supervisionava o sultão e seu governo. A França iniciou a conquista da Argélia em 1830, e em 1940 o país tornou-se parte oficial da França, administrada primariamente por um governador-geral.
AFRIKA KORPS
A Guerra no Norte da África era quase totalmente uma campanha dos italianos, o que aborrecia muito Hitler. Daí, a necessidade fez-se fato: fora criada, sob as ordens de Rommel, a Sétima Divisão de Panzers (A Divisão Fantasma). A Força destinada à África era conhecida como "Deutsche Afrika Korps". Muitos dos homens do Afrika Korps eram acostumados à guerra, porém, desconheciam o que estava por vir: o deserto.
Para irem ao deserto, os soldados precisavam passar por um exame, que daria a eles o título de Certificado Médico de Aptidão para Serviço Tropical, porém, com a alta demanda por soldados, quase todo mundo passou direto, sendo muitas vezes tal certificado abandonado. Os uniformes foram feitos de acordo com o clima, os tecidos eram mais duros que couro e mais resistentes ao calor; os calçados tiveram que suportar as quedas bruscas de temperatura à noite; as garrafas de água eram maiores, usava-se muito óculos escuros.
Muitos percalços houveram na guerra no deserto. Os lubrificantes das parafernálias, quando em contato com a areia, tornavam-se inúteis. A temperatura dentro do tanque certas vezes chegavam à 70º centígrados!!
Não era comum ver tanques abandonados... muitos tanques britânicos foram pintados com o símbolo nazista. Com a chegada dos norte-americanos em 1942, foram capturados muitos tanques alemães e caminhões, uma grande desvantagem. Esses abandonos deram origem aos "cemitérios de veículos", e por causa deles, muitas batalhas começaram a ser travadas.
Referências Bibliográficas:
Campanha da Tunísia (1943)
Tunísia, 5 de janeiro de 19433: os Aliados dão início às operações anfíbias em áreas próximas à Sfax e atacam os alemães em Gafsa. No mesmo ano o "oitavo exército britânico" junto com forças norte-americanas imprensam as tropas alemãs lideradas por Erwin Rommel. Primeiramente, os Aliados foram derrotados, porém, como eram maiores em quantidade, avançaram novamente e em maio de 1943 a Sétima Divisão Britânica apoderaram-se de Túnis, capital da Tunísia e a Segunda Tropa do Exército Norte-americano tomou a última posse do Eixo: Bizerte.
Referências Bibliográficas:

O Crash de 1929 abala o Norte Africano


A crise de 1929 (foto ao lado) ficou conhecida como o maior período de crise econômica mundial. Com o final da Primeira Guerra Mundial, a produção industrial estadunidense cresceu de forma intensa, na medida em que causou uma crise de superprodução e super consumo.

O desequilíbrio da produção provocou um forte sentimento de insegurança e uma onda de desemprego, além de inúmeras migrações causadas pelas falências. A rápida propagação ocorreu, dentre outros fatores, por causa da retirada de capitais americanos para aplicar em investimentos na Europa, objetivando fortalecer o capitalismo através da recuperação das mazelas da Primeira Guerra Mundial. Quando a crise eclodiu, os americanos tentaram retirar seus investimentos da Europa, causando uma lacuna no orçamento europeu. Os bancos entraram, portanto, em um processo de falência.

A crise gerou pânico, inicialmente nos Estados Unidos, em seguida na Europa, mas foi inevitável que tamanho desastre econômico não repercutisse pelo mundo. Foi diante dessa conjuntura que o continente Africano acabou sofrendo com a crise por ser intimamente relacionada, na época, principalmente, às metrópoles européias.

A crise provocou a retirada de investimentos no continente africano que enfrentou uma onda de desemprego. O comércio sofreu severa paralisação, contribuindo para uma crise de abastecimento. O artesanato sofreu uma queda significativa no comércio internacional, na medida em que os países fecharam-se para a recuperação da economia nacional, arruinando camponeses e artesãos. Tal crise afetou todas as classes sociais de forma violenta.

Essa crise demonstrou, de certa forma, a fragilidade do sistema capitalista, além de agregar valores que, posteriormente iriam contribuir para a independência dos países africanos. A crise foi causada, inicialmente, pela superprodução, pois o comércio internacional não tinha mais pra onde escoar a produção. A África ainda estava, em grande parte, vivendo sob o sistema colonialista, o que limitava o âmbito dos mercados consumidores. Com a abertura da economia dos países africanos, por meio da sua independência e maior integração ao sistema capitalista, houve uma maior demanda de consumo de produtos industrializados.



Referências bibliográficas

http://historianocead.blogspot.com/2007/08/crise-de-1929.html

http://www.miniweb.com.br/historia/artigos/i_contemporanea/crise_29.html



quarta-feira, 5 de maio de 2010

Declaração dos Direitos dos Negros

Em 1920, foi publicada a Declaração dos Direitos dos Negros. Essa declaração representou um grande e significativo avanço dos Direitos Humanos. Ela consagrava os direitos de proteção aos negros que na época, correspondia a aproximadamente quatrocentos milhões de pessoas.

Durante a primeira guerra, os conflitos que ocorreram no continente africano contaram com a atuação de soldados africanos que morreram em nome do capitalismo selvagem dos europeus.

Segue abaixo alguns trechos dessa Declaração que visava garantir mais justiça e igualdade.


Preâmbulo

FICA RESOLVIDO que o povo negro do mundo, através dos seus representantes escolhidos em convenção feita em Nova Iorque, entre os dias 1º e 31 de agosto de 1920, deve protestar contra os erros e as injustiças que estão a sofrer nas mãos dos brancos.

Nós queixamo-nos:

  • Que em nenhum lugar do mundo, com poucas exceções, é concedida igualdade de tratamento entre homens brancos e negros. Em algumas circunstâncias são discriminados e negados os direitos comuns entre os seres humanos, por razão de sua raça e cor.
  • Das nações européias tomaram posse de quase todo o continente da África, obrigando os nativos a entregarem suas terras aos estrangeiros, além de serem tratados, na maioria dos casos, como escravos.
  • Da discriminação por não ganharmos salários iguais para o apoio de nossas famílias.
  • Que há muitos atos de injustiças contra os membros de nossa raça, perante os tribunais de direito nas ilhas e colônias respectivas.

Contra todos esses tratamentos desumanos, anticristãos e incivilizados. Nós, aqui e agora, proclamamos (que):

  • Que acreditamos que o Negro, como qualquer outra raça, deve ser conduzido pela ética da civilização e, portanto, não deve ser privado de qualquer um desses direitos ou privilégios comuns aos outros seres humanos.
  • Nós acreditamos que qualquer lei ou prática que tende a privar qualquer Africano das suas terras ou dos privilégios de cidadania livre dentro do seu país é injusta e imoral e nenhum nativo deve respeitar qualquer direito ou prática dessa natureza.
  • Nós acreditamos que qualquer lei, contra o negro ou em detrimento do mesmo por causa de sua raça ou cor, é injusta e imoral e não deve ser respeitada.
  • Nós acreditamos que todos os homens têm direito ao respeito humano comum e que a nossa raça não deve, de maneira alguma tolerar insultos que pode ser interpretado no sentido de desrespeito à nossa raça ou cor.
  • Acreditamos que o Negro deve adotar todos os meios para se proteger contra práticas bárbaras infligida a ele por causa da cor.
  • Acreditamos na liberdade da África e do o povo negro do mundo, e pelo princípio da Europa para os europeus e da Ásia para os asiáticos, também acreditamos na África para os africanos, em casa e no exterior.
  • Condenamos veementemente a cobiça das nações do mundo que, por agressão aberta ou esquemas secretos, tomaram os territórios e riquezas naturais inesgotáveis da África. Nós colocamos a nossa determinação no registro mais solene para recuperar os tesouros e a posse do vasto continente dos nossos antepassados.
  • Nós acreditamos que todos os homens deveriam viver em paz uns com os outros, mas quando as raças e nações provocarem a ira de outras raças e nações, tentando violar os seus direitos, [a guerra] torna-se inevitável.
  • Protestamos contra qualquer sistema de ensino, em qualquer país, que negue aos negros os mesmos privilégios e vantagens que outras raças.
  • Cremos na doutrina da liberdade da imprensa, e, portanto, enfaticamente, protestamos contra a supressão de jornais e revistas Negras em várias partes do mundo.
  • Nós ainda procuramos a liberdade de expressão universalmente para todos os homens.
  • Vimos por este meio protestar contra a publicação de artigos escandalosos da imprensa estrangeira, pois tendem a criar conflitos raciais, além de exporem filmes, mostrando o negro como um canibal.
  • Acreditamos na auto-determinação dos povos.
  • Declaramos para a liberdade de culto religioso.
  • Exigimos o direito de uma educação plena e imparcial para nós mesmos e nossa posteridade, para sempre [.]
  • Resolvido, que o hino "A Etiópia, ó terra de nossos pais, etc," será o hino da raça negra. . . .
  • Nós declaramos que a injustiça para com nosso povo é um sério obstáculo para a saúde da raça.
  • Exigimos que as instruções dadas crianças negras nas escolas inclui o tema "História do negro", para seu benefício.
  • Declaramos para a liberdade absoluta dos mares por todos os povos.
  • Exigimos que os nossos representantes sejam devidamente credenciados em todas as ligas, conferências, convenções ou os tribunais de arbitragem internacional, sempre que os direitos humanos forem discutidos.
  • Proclamamos o dia 31 de agosto de cada ano para ser um feriado internacional que devem ser observados por todos os negros.
  • Queremos que todos os homens saibam que vamos manter a lutar pela liberdade e igualdade de todo homem, mulher e criança da nossa raça, com as nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.

Referências Bibliográficas

http://books.google.com.br/books?id=BKBZ2GudX2IC&pg=PA208&lpg=PA208&dq=Declaration+of+the+Rights+of+the+Negro+People+of+the+World&source=bl&ots=COThArRelH&sig=TMtf8LridaSkbwdUFOYcdnysB84&hl=pt-BR&ei=ihziS-jtH8-QuAf9wphd&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CDgQ6AEwBQ#v=onepage&q=Declaration%20of%20the%20Rights%20of%20the%20Negro%20People%20of%20the%20World&f=false

http://historymatters.gmu.edu/d/5122/